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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Circuncidar


Tenho de tomar a decisão sobre ser ou não circuncidado. Suponho que o maior entrave à minha tomada de decisão seja o hábito, que se traduz numa esperança tonta de que o prepúcio e o meu lindo (é o melhor adjetivo para o descrever) pénis voltem à sua perfeição original... 

No meio disto, dei por mim a pensar num episódio do Sexo e a Cidade, aquela série que se voltarmos a ver depois de crescidos (aqui refiro-me à idade e não ao crescimento peniano) percebemos o quão má é. A Carrie Bradshaw é só a pior personagem de sempre, dá vontade de abanar (novamente, a personagem, não ao pénis...). E antes que venham os defensores e defensoras dos oprimidos que gostam de contrariar tudo, não retiro o mérito que a série teve, cumpriu o seu papel na sua altura e ainda bem que existiu (um dia destes prometo rever pela terceira vez).  

Mas estou a desviar-me do assunto, não, o episódio que me ocorreu não é aquele em que a Charlotte sai com um homem e o convence a circuncidar-se (se pensarmos bem isto é que é problemático, não é o ela ser deixada por ele após o procedimento cirúrgico - como o episódio quer dar a entender...). O episódio em questão é aquele em que a Carrie vai conversando com uma das suas amigas, não me lembro de qual, confesso, penso que seria a Samantha ou a Miranda, e faz ver que uma mulher que decida não casar, ou não ter filhos, tirando os aniversários (e toda a gente tem aniversários), não é celebrada pelas suas escolhas. 

Ora, isto foi um saltinho para pensar que eu deveria ser celebrado pelas minhas escolhas e, tendo em conta que não quero casar, nem ter filhos, se calhar fazia um "chá de prepúcio"... 

Pronto! Era só para partilhar isto (tinha de o fazer com alguém), criem lá as imagens mentais que quiserem acerca deste assunto. 


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Ser gay é...

 Um desejar constante entre querer que o cabelo não caia e que o pêlo (escrevo à antiga) não cresça. 


FYI, estou a perder essa batalha (ambas). 


É aceitar que dói menos...


Sou antigo, está provado. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Sobre as férias, ou melhor, sobre a vergonha:

E antes que pensem que vos vou escrever sobre o meu destino de férias paradisíaco: não se enganem!
O que faço eu durante as minhas férias? Limpezas... O que inclui lavar edredons. Ora, porque vos escrevo eu acerca da minha limpeza de edredons?
Porque bicha pobre dirige-se às lavandarias self-service da sua zona e, qual bicha bem feitora, vai querer ajudar o senhor espanhol que por lá andava - enquanto os ditos cujos (edredons) andavam para lá numa qualquer máquina aos trambolhões. 
Nada de insólito até aqui. A não ser o facto de a minha ajuda consistir em apanhar uma peça de roupa do pobre senhor, que acabará de cair da máquina de secar. Se eu podia ter apenas apontado para a roupa de peça preta ali caída e esquecida, verbalizando umas palavrinhas em espanhol? Podia. Mas não teria sido a mesma coisa. 
Estava a sentir-me extra cristão e pensei: "Mais vale apanhar e dar ao homem!". Vou ganhar o céu, pensam vocês. O que era desnecessário era eu ter somente percebido, no momento em que a minha mão entrega na mão do outro senhor, que a peça de roupa preta ali caída era um par de boxers...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Hoje faço anos

Posso confirmar-vos que com o aproximar da velhice e consequentemente da morte, perdemos mesmo o sono e passamos a dormir menos. Prova disso foi a insónia que tive esta noite que só me deixou dormir 4horas.
Isso e o meu vizinho deve ter feito uma orgia. Eram 5h30 da manhã e chovem “praí” uns seis novos perfis, no grindr, mais ou menos à mesma distância... 
Eu cá não sou de intrigas, mas...

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O coming out perfeito

Vão por mim e acreditem quando escrevo que a perfeição é altamente subjectiva e, consequentemente, pessoal e intransmissível. 
No outro dia lembrei-me de como seria o meu coming out perfeito. Não há receitas milagrosas e portanto terão de pensar no vosso - podem partilhar num comentário, se quiserem, ou fazer um post no vosso blog. 
Quando nascemos, eu e o meu irmão mais velho, a minha mãe tinha ideias muito bem definidas do que queria para cada um de nós quando crescêssemos. Enquanto que para o meu irmão desejou, o agora clichê: “Gostava que fosse médico”. A mim calhou-me algo mais particular na rifa: “Gostava que fosse padre”. 
Assim sendo, a conversa sobre o meu coming out começaria com um:
“ - Mãe, lembras-te de desejar que eu nunca tivesse sexo com mulheres? (...)” 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sobre mim


Desde pequeno que não gosto de andar de autocarro. Então agora, que tenho a possibilidade do metro, andar na carris faz-me imensa confusão. É muita proximidade e aconchego para o meu gosto.  
Isto já deve vir desde criança, altura em que com dois anos de idade fiz uma viagem de autocarro ao estrangeiro e tendo em conta à impossibilidade de poder parar o autocarro para fazer xixi, porque, segundo a minha mãe, "tínhamos acabado de parar" e eu como criança já resolvida que era, sem ninguém me dizer nada, peguei numa garrafa de plástico vazia e toca a fazer xixi lá para dentro...  

I will be back.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O primeiro emprego

Ao que parece consegui o meu primeiro emprego mais a sério. Daqueles em que se desconta para a segurança social e tudo. É a boa notícia.
A má é que é para um cal center (parece que não contratam para outros empregos em Portugal). A boa, outra vez, é que quando os trabalhadores sexuais também começarem a descontar para a segurança social já me posso candidatar para um serviço de sexphone com experiência relevante na área. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Gay e em Lisboa


A Outra (assim em maiúsculas e tudo - e já vão perceber porquê) escreveu sobre o sexo e a cidade e eu também. Não queria, mas a verdade é que a minha vida é, no fundo, um grande cliché gay. Vejamos:
Sim, sou gay e gosto do sexo e da cidade (também da série - bicha que é bicha, já se sabe). Mais do que isso, sou o gay da aldeia que, sem saber bem porquê, desde pequeno quer sair da aldeia e ir para a cidade. Assim, numa espécie de "Rato do Campo, Rato da Cidade". (Porque queremos sempre é aquilo que não temos. Afinal, esta é uma característica do ser humano, querer o que não tem e é isso que também o/nos vai continuando a mover)...
Não, isto não é 100% verdade ou sequer suficiente. Porque, felizmente, a vida de ninguém é (ou se resume a) ser gay ou qualquer outra característica que pode ser tomada como um todo. Poderia criar-se, assim, toda uma narrativa pessoal a partir desta característica - um olhar fechado que tem apenas em conta uma perspectiva unidimensional sobre algo multidimensional, como é a vida de cada um. Deixem-me reformular:
Era/sou sim um rapaz da aldeia que queria estudar, ir para a escola, adorava a escola (e ainda adoro), e ir para a Faculdade. Ser inteligente, tirar um curso superior, ser feliz, estudar, ter amigos e "be a badass person". 

Olhando retrospectivamente, como se a minha vida fosse uma série de tv criada pela Shonda numa junção de clichés gay plus uma personagem do sexo e da cidade (em que seria, na verdade, uma Samantha - sem o sexo desenfreado e fortuito a toda a hora. Ou, pelo menos, gosto de pensar que sim), a minha vida seria o cliché do teatro músical do pequeno que é gay, em que os seus pares sabem, antes mesmo de o próprio o saber, e gozam com ele (mesmo não sabendo o que é isso de ser gay, apenas agarram em algo diferenciador que nem sabem bem o que é). Ele sonha fugir daquele meio retrógrado e antiquado indo para uns quaisquer palcos da broadway onde consegue dar asas a um qualquer dom artístico que todas as mariquitas possuem. (Ainda estou à espera de descobrir o meu!). Conseguindo assim conhecer pessoas mais inteligentes, evoluídas, e a sua aceitação, mostrando a todos os outros que é melhor que eles. 
Sou, portanto, o puto da aldeia que acredita que a sua felicidade está noutro sítio. Assim, estudei, fiz o ensino secundário (não chumbei um único ano, "esforcei-me" por isso) - esforcei-me para mostrar aos meus pais que merecia continuar a estudar, a luta pela minha educação e o direito a esta. Pensei ao longo do secundário o que queria ser quando fosse grande. Ou melhor, como queria ser quando fosse grande. Encontrei um modelo (ainda espero vir a ser como aquele ser - sendo eu, claro), não imaginei a minha vida fora do meio de que tanto gostei e, assim, escolhi o meu curso, tendo em conta o meu gosto, os meus critérios, aquilo que, imaginei, me trouxesse (e venha a trazer) felicidade. Pelo meio disto criei aqui o "estaminé", depois de uma pesquisa para encontrar aquilo que achava que podia ser ser-se gay, achei que podia trazer-me felicidade (e não me enganei). Gosto tanto do meu blog. E tenho pena de não conseguir dedicar-me a ele e é, também, a perspectiva com que criei este texto. Reacender algo... Mas, voltando, ou continuo a dispersar-me em pensamentos... Informei-me, aconselhei-me, e a melhor universidade para o meu curso era/é aqui em Lisboa. Conheci pela net aquele que veio a ser o meu primeiro namorado (podem ler mais AQUI, AQUI e AQUI). Até hoje não podia ter acertado mais, na altura era tudo o que queria para alguém com quem partilhar a minha vida. Estão a ver a imagem mental que criaram do homem dos vossos sonhos quando andam no secundário (eu era tão fofo)? Não que ela chegue para o que quer que seja na vida real, a não ser como um guia - acreditem! Portanto, correu muito bem a minha primeira experiência de namoro e de tudo o que dela adveio. O que é bom, afinal somos resultado delas. Por acaso, e eu acredito que a nossa vida é feita de maravilhosos acasos e momentos que nos fazem crer que estamos no ou num caminho certo, acabou por se juntar a cota com a perdigota, o meu desejo por estudar mais, para me tornar mais e melhor, e o "tipo" que imaginava para a minha vida estavam em Lisboa. E assim começava a cumprir o meu ser em projecto...

Isto tudo para quê? Para dizer que tenciono, se a entrada na vida adulta me deixar, criar uma série de, vou chamar-lhe, "crónicas" e como O Gay e a Cidade me parece demasiado próximo de plágio... Gay e em Lisboa está a nascer.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Cem Mil


Passei o marco das cem mil visualizações e este blog tem andado tão parado. Eu que até tenho um blog que de vez em quando é engraçado, dá-me pena não ter tempo para me dedicar a ele. Nem tempo para me dedicar a ele, nem tempo para ter histórias que me pareçam relevantes cá para o estaminé. Mas isto de entrar na vida adulta dá muito trabalho, que dá... 
Enfim, em jeito de comemoração para as cem mil visualizações (que não são mesmo, uma vez que algumas visitas são minhas, tendo em conta que não consigo que o blogger não as conte) e porque a malta parece gostar destas coisas dos "segredos", vou-vos contar um. (Que não é nada segredo, ainda no outro dia contei esta história (dai me ter lembrado dela agora), nunca tinha contado era aqui.) Lembram-se disto? Vou contar mais um bocado da cena.  Contexto:
Amiga está em, como gosto de dizer, conversações com outra moça... (Que é como quem diz, estão a ver se a coisa vai para a frente em namoro ou não.) E aqui o Ricardo faz companhia à amiga que vai ter com a moça ao seu local de trabalho. Um barzinho, bem giro por sinal, numa zona gay de Lisboa, antes de sairmos à noite. Como é óbvio a moça conhece toda a gente e toda a gente acaba por conhecer a minha amiga. Numa noite lá vem um grupo de amigos da moça, ou melhor, tendo em conta o contexto, conhecidos da moça e saímos todos juntos.   
Conversetas e tal. Novamente naquele sítio pavoroso, para terminar a noite (não, não quebrei a minha promessa. Não levei as minhas botas, mas umas sapatilhas). Pensando bem acho que dois moços naquela noite se fizeram a mim. Mas aquele com quem osculei foi o que se fez mesmo a sério (afinal beijou-me, dah!) e com quem tinha conversado mais, achado mais piada e era mais giro. Eu já havia percebido que ele devia querer festa com o "je", mas há alturas em que uma pessoa "deve fazer de conta que não é nada consigo", faço-me de difícil (que sou!) e finjo que não percebo as investidas. Moço mostra o seu sixpack ao grupo, virado para mim... Eu faço de conta que não é nada comigo... O moço lá foi indo, foi indo, aproximou-se, eu deixei, conversou mais, "conversa de engate" e deu-me um beijo. E o moço beijava bem!
*Beija bem* Pausa, conversa, mais beijos, pausa, conversa, mais beijo e... encosta a palma da minha mão, enquanto nos beijamos, por cima das calças dele, na pila, que estava dura, e afirma:
É isto que tu me fazes". E eu penso *E mais não estou a fazer nada. Lamento, não sou desses, não vais ter sorte.* Tiro a mão enquanto digo:
"De nada!..." (*I'm so funny*).
Mais beijinhos, o moço lá vai dizendo aquelas coisas de engate: "Pareces especial, tão giro,..."
Mais beijinhos. Noite terminada, uma pessoa do grupo vai deixando cada um em casa de carro, sendo eu e a minha amiga os últimos. Ele é o primeiro a ser deixado, mais um beijo no carro, o moço bêbado sai e lembra-se de voltar atrás e pedir-me o número. Coisa que já tinha pedido, mas ainda não tínhamos trocado. Falámos até à manhã seguinte, eu depois nada disse e o moço também não. O mais provável é nem se lembrar de quem é aquele número que tinha no telemóvel...
Querem saber a melhor?
Poucos dias depois deste episódio (em que eu nunca mais tinha falado com o moço), tenho a minha amiga a dizer-me mais ou menos isto: "Olha sabes, ao que parece o moço é prostituto, acho que te devia contar..."
Eu - Prostituto? Okay... *Eu já a ver o filme todo*
Amiga - Sim, ao que parece há ali um grupinho que vai uns fins-de-semana à Suiça... 
Eu - Hmmm... Ou seja, prostituto de luxo?
Amiga - Sim, parece que sim... 
(...)

Segredo do Ti'Ricardo: Um prostituto de luxo engatou-me e osculou-me.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz 2015!!!


Deste vosso Lumbersexual da Aldeia.
(Não se nota, mas tenho uma pseudo-barba.)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Comunicado(s)

Estou sem net. 
Já regressei a Lisboa e estou sem net em casa, porque a responsabilidade das pessoas deixa muito a desejar e, infelizmente, parece que passo a minha vida a lidar com gente atrasada. Mas, em compensação, sinto-me orgulhoso de mim mesmo. Entre várias situações: 
Vim para Lisboa, depois de acompanhar a minha mãe ao médico (felizmente a situação dela em termos de saúde parece estar a resolver-se de uma óptima forma), porque fui trabalhar para um congresso e apercebi-me que tenho uma capacidade fantástica que herdei da minha mãe: a ética no trabalho. Bolas, modéstia à parte (porque há alturas em que não o podemos ser) e eu sou uma das pessoas mais modestas que conheço (embora agora não o vá parecer), eu trabalhei mesmo! Fiz o que me competia e ainda mais, organizei tudo para facilitar as coisas aos outros trabalhadores e nunca coloquei as minhas vontades à frente do que era suposto fazer, mesmo não me sendo pedido. Portanto, estou orgulhoso de mim. O que me leva a pensar que, se calhar, em vez de estar a gastar dinheiro em mestrados e continuar a estudar eu podia aproveitar esta minha capacidade e tornar-me ou organizador de eventos (à mariquita séria), um assistente pessoal ou administrativo... Se alguém precisar de uma mariquita esforçada, já sabe. É que sou mesmo bom. 
Infelizmente, parece que quem é como eu e trabalha imenso e é honesto (mesmo boa pessoa e fazendo tudo pelas regras) acaba por não conseguir chegar a grande lado. Infelizmente, também, e na minha área de estudos (e é tão grave perceber isto na minha área e ainda mais triste): é tudo um grande tacho para os mesmos de sempre e só entra no meio quem tem padrinhos. Perceber isto custa, que eu sou uma mariquita da aldeia, pobre mas honesta. 
Quando voltar a ter net volto às coisas de sempre aqui no blog. Façam figas para que seja ainda esta semana. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Curta

Um destes dias não vou ser capaz de escrever uma história de amor, porque continuam todos à tua sombra e o tempo passa.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

*Fangirl Screaming*


*AAAAAAAAHHHHH!!!* Adorei! 
Quero a versão portuguesa, mas ainda não há data prevista para a transmissão da série por terras lusas. Está mal. 
É certo que nenhuma bate esta nossa abertura da primeira série, mas achei piada à música brasileira para esta nova série. Espero que a nossa seja ainda melhor.

Cantemos: ...A LUA ME TRAIU... acreditei que era p'ra valer... A LUA ME TRAIUUU!!! 

P.S. Só sou eu que acho o desenho das pernas delas esquisito? Não me parecem nada sexys, há algo que não está bem... Não têm joelhos?

Adenda: Enganei-vos, esta não é a música que abrirá o anime, foi alguém que postou a gozar.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Aparece-me com cada um

Ontem aconteceu-me um episódio e eu pensei logo *Isto vai tãooo parar ao blog*, mas não estou com grande vontade de escrever portanto não sei como vai sair, deixe-mo-nos ir no percursor sombrio.
Introdução: A minha vida está compartimentada em várias esferas, como acredito a de toda a gente. E estas estão muito bem definidas e organizadas para mim e não se misturam todas umas com as outras. É a família, a faculdade, os amigos, o blog, o ser homossexual, a música, a fotografia, o cinema, a aldeia, Lisboa, etc. e tal. E estas esferas não se tocam todas umas com as outras, i.e., a família (ainda) não toca com a esfera homossexual, ou a do blog (a minha mãe a ler as coisas que escrevo por aqui seria qualquer coisa), por exemplo, e a esfera dos amigos toca com a da faculdade, alguns deles com o blog, por aí fora. Há também uma espécie de trabalho que tenho e é algo que vou fazendo muito de vez em quando e que, por isso mesmo, tem a sua esfera própria, pequena e separada das outras. Ninguém ali adivinha qual é o meu background, modéstia à parte, graças à atitude que ali tenho, e quando digo o que faço, o que estudei e estudo, surpreendem-se. Nenhuma destas esferas me define maioritariamente, como acredito assim seja com toda a gente. E penso que não exista ninguém, para além de mim (mas eu sou o universo e o acesso total central ao e do mundo), que conheça todas as minhas esferas de forma directa. Basicamente, é aquela coisa adolescente de que ninguém me conhece verdadeiramente para além de mim. E eu não gosto que essas esferas se encontrem a não ser quando eu quero, quando faz sentido para mim. Gosto muito do facto de não haver ninguém que conheça toda a minha vida, pronto.
Avançando: Ontem lá fui ao tal trabalho, que vou fazendo muito de vez em quando (vêem como a esfera do trabalho não toca aqui a esfera do blog?), e andava por lá um moço que, falando depressa e bem, como uma das meninas com quem estava a travar uma relação de companheirismo disse: "Há gente muito chata". O moço não tem qualquer tipo de decoro social (e é uma coisa que eu acho tão importante), mas pronto tem 15 anos, estava com um grupo de amigos, pode fazer figuras e falar muito alto...  Tudo bem. O problema é quando o miúdo de 15 anos se faz a mim. Com uma conversa tão explícita que eu só pensei *Eu com 15 anos nunca na minha vida faria isto, nem sequer agora com 21 anos de idade. Esta gente tem a escola toda muito cedo. No me gusta* e ainda para mais numa situação de trabalho. A minha esfera homossexual estava a entrar na minha esfera do trabalho e não me parece nada bem, essa esfera não me define. Mas vamos lá à situação e a ver se eu explico isto com graça que é a única maneira de olhar para as coisas.
Situação: O moço senta-se perto de mim (ao meu lado) e das meninas com quem estava a travar uma relação de companheirismo por estarmos ali (foi a primeira vez que as vi e que falei com elas), e começa -"Que idade têm?" lá respondemos todos. [Ah, deixem-me salientar que quando eu não gosto das coisas não ligo nenhuma de forma activa. Portanto este episódio está cheio de falhas na minha mente. Outra coisa que faço é dizer que não a tudo, perguntar sempre "Hum?" de forma a que repitam a pergunta. Isto tudo para ver se a coisa morre ali, mas não foi o que aconteceu neste caso]. E o moço diz que tem 15 anos. Depois lá nos pergunta os nomes *Ou terá sido ao contrário? Anyway*... Depois, não sei como nem porquê (foi porque nos virámos para outro lado de forma a tentar evitar o moço) começa a falar para mim em sussurro -"Olha, tu jogas noutra equipa, não é?" *Ham!? WTF!? Que péssima maneira de começar moço, deixa-me já dizer-te. Ai a minha vida, já não estou a gostar do rumo disto. Oh god, why? Faz de conta que não percebes, assim o moço percebe que não deves ser gay, uma vez que não percebeste o que é a pergunta* -"Desculpa, o quê?" -"Se jogas noutra equipa?" *Jogo noutra equipa? A sério? Responde que és do benfica...* -"Se jogo noutra equipa... Como assim?" Aqui o moço começa numa luta interna a pensar como deve fazer para transmitir a ideia que ele quer. -"Não estás a perceber a minha pergunta?" *Toda a gente percebe a tua pergunta meu caro, não estou é interessado em responder a essa pergunta, nem a ter esse tipo de conversa contigo. Coloca um ar confuso, encolhe os ombros, és tão tótó da aldeia, tão inocente, que não sabes nada desta vida* -"Não..." respondo. O moço ajeita-se, percebem-se as engrenagens cerebrais num conflito de, digo ou não digo? Este tipo está é a gozar comigo. *Vá-la, esquece o assunto. Esquece o assunto, se eu te disse que não percebo é porque não sei do que estás a falar, logo não sou gay...* -"Do que é que gostas?" *Ai, a minha vida. O que vale é que a esta já tenho resposta pronta. Ar confuso* -"Em relação a que?". Mais engrenagens a trabalhar -"Então... Do que é que gostas... És gay?" *Pronto, foi directo. Mente! Não vou mentir, não é algo que precise de ser desmentido, não é nada de errado ser gay. Mas não quero ter esta conversa, o tipo está a atirar-se a mim. Meu Deus, só tem 15 anos. Eu com 15 anos estava no meu cantinho... Minto ou não?*

E pronto, o post vai longo. E hoje vou trabalhar outra vez, tenho de me ir preparar para não chegar atrasado. O moço também vai hoje. Portanto, cheira-me que para além da continuação deste post e desta situação, vou ter a situação de hoje...

Legenda:*(Pensamentos)*

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Crise da meia idade

Foi preciso chegar aos 21 anos para ter a minha primeira curte com o moço que "conheci" naquela noite por ser o amigo da amiga de uma amiga minha. Foi, também, a primeira vez que dei beijinhos na boca num espaço público com público. Aliás, foi certamente a primeira vez que alguém me deve ter visto dar beijos na boca...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Liebster Award

O Miguel atribuiu-me este selo e, portanto, responderei às perguntas dele e partilharei 11 factos acerca de mim. Já naquilo que diz respeito aos 11 bloggers que devo nomear e as 11 perguntas que devo atribuir, numa espécie de "passa ao outro, mas não ao mesmo", quem quiser que leve. Que eu sou assim: um expulsivo anal (Ah! Freud, seu maluco), que é como quem diz "um mãos largas".
Ora então, às perguntinhas:

O que te levou a criar o blog?
http://aoutrafacedericardo.blogspot.pt/2010/02/o-comeco-que-cliche.html

Como descreverias actualmente o teu blog, em uma frase?
Um blog versátil, neste momento divertido.

Qual a razão por detrás do nome do teu blog?
Dei a dica na primeira resposta, inspirei-me no Fernando Pessoa. Ele criou os seus heterónimos e eu acho mesmo que todos temos várias faces, que se complementam e nos formam, e esta é uma das minhas...

Quais os teus guilty pleasures?
Ai, não sei. Canto muito (mal e porcamente) e gosto, mas não tenho voz para tal. Tenho muitos prazeres, mas não posso dizer que sejam "guilty pleasures".

Define-te em 3 palavras.
Bonito e inteligente, mas, acima de tudo, modesto.

O que mudavas na blogoesfera?
Mudar, nada. Trazia apenas de volta alguns blogs e bloggers que já não existem. Especialmente aqueles primeiros que li e que me levaram a criar o meu blog.

Gostavas de conhecer um blogger?
Já conheci alguns e gostava de conhecer mais, claro.

Qual o teu maior medo?
Não sei...

O que gostavas de fazer mas não tens coragem?
Não sei...

O que mais aprecias numa pessoa?
É difícil dizer, é o conjunto todo acho.

Algo que tenhas saudades? 
Costumo dizer que não sei o que é sentir saudades. Não há nada que me ocorra.

E os 11 factos (isto é que vai ser difícil):

1 - Tenho cabelo castanho.
2 - Tenho olhos castanhos. (Se calhar não é por aqui que querem que vá)
3 - Tenho 1.73 metros. (Até acho que tenho mais um bocadinho, mas é o que diz no CC.)
4 - Hoje pesei-me, 54.7kg. ( :O Costumo pesar 53kg.)
5 - Não gosto de quase nenhum tipo de peixe.
6 - Tenho um gato chamado Napoleão.
7 - O meu primeiro nome não é comum e gosto muito dele.
8 - Gosto de demasiadas coisas para o tempo com que marcamos a nossa vida.
9 - Não sei dizer 11 factos sobre mim facilmente.
10 - Gosto muito de chocolate.
11 - Sou baptizado e tudo e tudo até ao crisma (inclusive).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sobre mim

Em conversa com um amigo. Foi mais ou menos isto:
Amigo - Conheces a série Phineas e Ferb?
Eu - Conheço...
Amigo - És parecido ao cientista maluco.
Eu - Ao cientista malvado? Ao Heinz?
Amigo - Sim.


Eu - É, percebo o porquê...

P.S.: Só me faltam os olhos azuis que não soube ir buscar à família da minha mãe. Ou trazer comigo os fantásticos olhos azuis esverdeados (ou verdes azulados(?)) desta, se os tivesse seria um super gatão e tinha-os a todos rendidos aos meus pés...
Pensando bem, se calhar até foi bom não os ter herdado...
Estou quase, quase, a mudar a minha foto aqui no blog para a do Dr. Heinz Doofenshmirtz.

sábado, 11 de janeiro de 2014

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Eu, o rezinga

Vou passar o fim-de-ano em Lisboa. Não tenho planos e a minha vontade de os fazer é nula. O ano passado passei-a também em Lisboa em casa de uma amiga, a fazer um trabalho e sozinho (por opção claro). Ainda fui até à varanda ver o fogo-de-artifício (depois achei que tinha perdido um dos gatos e que ia ser degolado), e assim entrei neste ano. Ainda pensei em ir até ao Terreiro do Paço para ver o fogo-de-artifício, não é tanto pelo fogo, mas mais pelo lugar. Contudo a ideia de estar imensa gente lá tira-me a vontade. Vai começar um novo ano, o que é que tem de especial? Acontece todos os anos...
E assim continuo sem planos e sem vontade de os fazer. Para além de velha estou a ficar rezingão.



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sobres mims

De vez em quando adoro uma boa foleirada.
É verdade, tanto na música (aquelas músicas mais pop. E já tiveram exemplos disto por aqui no blog), como no cinema (O Diário da Nossa Paixão. Biiichaaaaaaa), de vez em quando no outfit que me dá para vestir (papillon ou chapéu. Todo pipi) em muitas outras áreas certamente, e também nos livros.
O prazer que me deu ler este livro e largar as leituras académicas. Comprei-o esta tarde (já havia lido os livros anteriores da autora e sabia o que ia encontrar e gostar, inclusive comprei um no primeiro encontro com o rapaz que foi "o meu primeiro amor") e foi até agora às duas e trinta da manhã, com a pausa para a aula do dia em que só me apetecia voltar a lê-lo
Adoro esta escrita leve que nos leva a visualizar as imagens como se de um filme se tratasse. Neste caso particular, as descrições visuais do tempo, os cheiros, a atmosfera e tudo com um toque de magia (adoro, adoro, adoro, adorava, adorava, adorava, ter alguma espécie de poder mágico, nem que fosse o olhar astuto, profundo, que as personagens do livro possuem umas sobre as outras). Ah, e o romance, o romance aveludado que nos deixa a sonhar, o sentimento de que o que tem de ser será e de que as coisas são tão fáceis quando estamos apaixonados e somos retribuídos, de que é quase automático, que é quase certo que acabaremos com alguém só porque é a pessoa certa, só porque é o amor, só porque a vida se encarrega disso. Caraças, estou com aquela vontade de estar apaixonado e ser retribuído, mas depois penso que para isso é necessário conhecer pessoas... e Deus me livre. Lá se vai a vontade. O bom destes livros é que podemos deixar ao sopro do vento que as coisas se encaminham. (Fia-te na virgem e não corras).

A Árvore dos Segredos, de Sarah Addison Allen