(Isto passou-se na sexta à noite)
Perdi o o autocarro das 19h que voltaria para a aldeia, mas era o destino...
Perto das 21h, nova hora de embarque, e dirijo-me ao autocarro. Pergunto ao motorista de que lado é a bagagem, vou colocá-la, espero na fila, entrego o meu bilhete ao motorista e ele diz-me "Não é este o autocarro. É o que está na linha 2...". Só penso, *Fuuuu, só não acerto no euromilhões* (Tinha acontecido o mesmo a uma senhora e ao ver pensei que a mim me iria acontecer o mesmo, e aconteceu!). "Obrigado". Vou buscar o malote (aka saco de desporto) e corro até ao autocarro, pergunto de que lado é a bagagem, entrego o meu bilhete ao senhor motorista, entro no autocarro e finalmente olho para o meu bilhete, lugar 9. *A sério!? Tão cá à frente...* Ponho-me a olhar para os números que estão em cima, está um moço no lugar do corredor onde seria o meu lugar e no banco do lado da janela uma mala que deveria ser de senhora. *Bem, não vou fazer as pessoas mudarem de lugar*. Continuo a andar pelo corredor, olho para a frente e está toda a gente sentada do lado da janela com o lugar do corredor vazio. Ando um pouco, uma rapariga com uma mala no lugar do corredor, *Okay, esta não deve querer companhia* e continuo a andar. Mais uns passos e um rapaz que me parece gay *Okay, senta te aqui, está de phones nos ouvidos e daqui a nada só te sentas nos últimos lugares*
(Sim o moço era giro). E lá me sentei. Coloco os meus phones, respondo a sms's, e começo a ouvir música nos meus phones...
*Como é que se põe mesmo conversa com rapazes giros e gays no autocarro?* O autocarro sai da garagem. O moço acende a luz e apaga-a, para ver se esta funcionava, suponho eu. *Bem já é de noite e comprei a vogue (Há lá melhor maneira de ele pensar que também eu sou gay? Isto é, se não percebeu já), quero lê-la e também devia dar uma olhadela pelos apontamentos. *Hmmm, posso perguntar se posso acender a luz*
"Olhe importa-s
e que acenda a luz?". R.: "Não, estás à vontade"
* Espera lá! A sério que acabei de o tratar por você? Que cona, *facepalm**.
Saco da minha Vogue, começo a folheá-la. Chego à parte das festas e o moço comenta o vestido da Byoncé (que não percebi se gostava ou não, eu já nao ouvia nada, mas alguém me dá um tiro?), a Anna Wintour e o seu vestido que tinha uma lagosta e comenta também o facto de ela ir apoiar o Barack Obama nas Eleições e qualquer coisa sobre ela ir para Londres.
E eu, muito sapiente, digo: "Hammm... A sério? Não sábia. É que se essa notícia é recente andei morto para o mundo durante umas duas semanas". R.: "Ah, pois a notícia tem dois ou três dias".
Já não me lembro se respondi algo ou não, mas pensei, *A sério que lhe disse que estive morto para o mundo!? Estive o quê, em coma durante duas semanas?* Bem lá continuo a folhear a revista, sim folhear, porque não conseguia prestar atenção a nada do que supostamente lia., estava a tentar arranjar maneiras de tentar pôr e manter uma conversa com o moço. Depois penso que é melhor dar uma olhadela aos apontamentos, pode ser que seja mais produtivo e pergunto ao moço se quer ver a revista visto que tenho de estudar. Ele diz que sim e agradece.
Fica a ver a revista, eu os meus apontamentos, ainda saco do meu Moleskine (Sim, foi só para mostrar que tinha um) e escrevo uma ideia que tive acerca da matéria. Volto a arrumar as coisas. Olho para o lado e vejo que o moço está a ler sobre a parte da música, debruço-me (se tivesse mamas esta seria claramente a parte em que evidenciava o meu decote) e vejo o artigo que me tinha escapado a atenção. *A sério que me debrucei sem pedir para ver!?*facepalm**, ou melhor, nesta altura já pegava no martelo que está no autocarro em caso de acidente e agredia-me com ele. Volto aos apontamentos, o moço acaba de ver a revista entrega-a agradece-me, e eu penso, *Vá é agora que tens de dizer algo para tentar meter conversa*, e respondo : "Hammm... De nada" * ¬¬ *.
Arrumo a revista, leio mais uma parte dos apontamentos enquanto penso no cona que sou, quero dizer, o moço a querer meter também conversa e eu sem ser capaz de lhe a dar. Arrumo o caderno, o moço está sem phones, volto à vogue, termino e arrumo as coisas, digo que pode desligar a luz e agradeço, ele diz de nada e agradece também desligando a luz... Entretanto, o moço percebendo que eu sou um caso perdido coloca os phones e recosta-se sobre o banco.
E pronto, fui o resto da viagem a chicotear-me mentalmente.
E lá se foi a minha oportunidade, duas horas ao lado dele e nada. Nem sequer ganhei coragem para escrever o número num post-it e entregar. Raios me partam!
Para a próxima faço algo como isto: