sábado, 10 de maio de 2014

Por vezes



Há dias em que temos aquelas crises existenciais, que não são nada crises existenciais. Não sabemos o que é, sentimo-nos incomodados e não é por nada em concreto. Dói-me o cérebro, ou melhor, não me dói, sinto-o cansado (não é que lhe tenha dado muito uso nos últimos tempos. Se calhar é por isso), mas não é cansado, é como um peso. Não está preso a nada e pesa-me, sinto-o.
Está um dia lindo em Lisboa, levantei-me cedo, fui a uma conferência e já aproveitei, na companhia de uma das pessoas que mais gosto, a baixa, a luz e o Tejo. A pessoa foi (e até me pagaram o almoço). Aproveitei a Praça das Flores e o meu passeio dos tristes. Estava/estou incomodado sem saber porquê, queria vir para casa sabendo perfeitamente que quando aqui estivesse queria voltar a sair, mesmo sabendo que não me apeteceria apanhar novamente o metro e voltar ao Rato (sabendo que quereria, quero voltar) mas não me apetece. Quero ir à aldeia, sabendo perfeitamente que se fosse queria voltar para Lisboa.
Tenho coisas para fazer da faculdade, mas não me apetece, não tenho vontade e estou incomodado. Tenho de trabalhar, mas sei que não vou, não quero... Não tenho vontade, mas tenho de fazer. Sei que não vou fazer nada e que mais tarde me vou arrepender, não arrependendo.
Sinto falta de algo que não sei o que é. Sinto e não é bom este sentir, mas pelo menos sinto. Estou  a viver uma vida sem graça, parece-me, mas reconheço-lhe uma categorização de boa. É estranho, não há empreendimento de mim, mas vai havendo/acontecendo.
O outro dizia que sabia que nada sabia e isso é positivo. Neste momento sinto que sinto não sei o quê/algo. É isto também positivo?
É um dia em que, sabendo perfeitamente que não é o que queria, queria fazer como este gato

 (não é fofinho?)

esticar os braços, que alguém me pegasse ao colo e tomasse conta de mim. Não, não é nada o que quero. É. Estou cansado. Cansado de não fazer nada, de sentir que não faço nada, e mesmo assim sem vontade de fazer algo. Vivo, vou vivendo, mas preenche-me realmente? O que é que fará então esse papel?
Acho que vou dormir a sesta, sabendo perfeitamente que não vou adormecer...

19 comentários:

  1. tu tens 22 anos, não te esqueças disso. aos 22 anos podes tudo o que quiseres, e olha que sei o que estou a dizer. tens muitos amigos e vives numa cidade em que podes fazer tudo o que quiseres. queres comprar a tua vida com a minha? eu até tenho razão para estar deprimido, TU NÃO; mas esforço-me todos os dias para que isso não aconteça.

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    1. Salvando o facto de que aos 22 posso fazer tudo o que quero, porquê isso não é verdade. Eu tenho perfeita consciência disso. "Está um dia lindo em Lisboa, levantei-me cedo, fui a uma conferência e já aproveitei, na companhia de uma das pessoas que mais gosto, a baixa, a luz e o Tejo. A pessoa foi (e até me pagaram o almoço). Aproveitei a Praça das Flores e o meu passeio dos tristes. ".
      Não me leste nunca neste post a dizer que estou deprimido ou que me vou deixar ir nessa onda. Ainda que, isso não seja algo que se controle. Os motivos que dizes poder ter para estares deprimido eu "não os conheço", mas são teus. Eu como espectador de fora também posso olhar para a tua vida e ressalvar todos os aspectos positivos e dar-te os motivos para não o estares... Só quem está dentro do convento sabe o que vai lá dentro... Eu também me esforço Sérgio.

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  2. eu concordo em grande parte com o Sérgio, tirando na parte em que ele compara duas vidas distintas, algo que não aconselho a fazer.
    A verdade é que tento levar a vida pela máxima do "não gosto, não faço", nem sempre é possível e claro que tenho que fazer muitas coisas das quais não gosto, mas no resto do tempo, porque não o aproveitar a fazer o que me apaixona? A vida é minha.
    Tanto tu, como eu, somos jovens, temos o mundo aos nossos pés, para quê deprimir? Bola para a frente (ou bolas para trás, dependendo das posições haha) que o mar é imenso e há muito que navegar.
    Abraço

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    1. Na vida cheira-me que temos de fazer muitas coisas de que não gostámos e certamente não podemos fazer tudo aquilo que gostaríamos... O "problema" aqui, é a talvez a falta de "paixões", do empreendimento de mim feliz. (As disposições são umas coisas muito tramadas).
      "Bolas" como cada um gostar mais xD

      Abraço Kyle

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  3. Eu estou assim: "I am not happy. I am not unhappy. I am frozen somewhere in the middle that is so much worse. I am nowhere. Nothing is happening and I am getting more and more sad." É angustiante...

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    1. Percebo K. Mas temos de arranjar maneiras de subverter esta disposição e não nos deixarmos ir por ela...

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  4. https://www.youtube.com/watch?v=mADiz_vn0RQ

    Estás mais ou menos como relata o António variações, portanto?

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  5. melancolia?
    vai passando, uns dias mais outros menos.
    boa semana.
    bjs.

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    1. Pensei nesse conceito. Mas geralmente sabemos o que causa esse sentimento, sabemos qual é o objecto ou sujeito da nossa melancolia, tal não é o caso, portanto não lhe chamaria isso.
      Já passou, o que vale é que é sol de pouca dura xD

      Beijos Margarida e uma óptima semana :)

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  6. sabes qual é a minha solução quando sinto-me um pouco como estás? amigos, estando com eles acabo por ter sempre o que fazer mesmo não querendo fazer e no fundo, vejo que diverti-me e animei-me.

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  7. O segredo é fazeres algo novo, sair da rotina. Embora possas visitar os mesmos locais de sempre, porque não observá-los do ponto de vista de um turista? Ou fazer alguma maluqueira? Cantar, dançar, quem sabe? :3

    Abraço :)

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    1. Sim João, observar os mesmos lugares de um ponto de vista diferente é uma óptima ideia. Por vezes passar na mesma rua mas do outro lado da estrada já nos dá uma visão completamente diferente. E por acaso nesse dia acabei por sair da rotina e ajudou imenso a melhorar a neura xD

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    1. Não Namorado, nada disso. Não tem nada a ver com bipolaridade, nem sequer fiz uma descrição desses sintomas.

      E antes da Psicologia veio a Filosofia :)

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