quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Conselhos do Ti'Ricardo

Se convidam alguém para ir a vossa casa pela primeira vez (you know what I mean!), ou a um sítio em que a pessoa não está familiarizada com o local (como um café a que nunca foi,...), o mínimo que devem fazer é ir buscá-la ao metro, paragem de autocarro, ou local onde a pessoa está. E, já agora, a seguir ao encontro, levá-la de volta.
O cavalheirismo nunca fez mal a ninguém, nem a boa educação ou a ajuda ao próximo.


P.S. Já repararam que quase nenhuma mariquita, das mais novas pelo menos, é um cavalheiro? Ou é só impressão minha?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Gay e em Lisboa


A Outra (assim em maiúsculas e tudo - e já vão perceber porquê) escreveu sobre o sexo e a cidade. E eu, que não queria, mas a verdade é que a minha vida é, no fundo, um grande cliché gay. Vejamos:
Sim, sou gay e gosto do sexo e da cidade (também da série - bicha que é bicha, já se sabe). Mais do que isso, sou o gay da aldeia que, sem saber bem porquê, desde pequeno quer sair da aldeia e ir para a cidade. Assim, numa espécie de "Rato do Campo, Rato da Cidade". (Porque queremos sempre é aquilo que não temos. Afinal, esta é uma característica do ser humano, querer o que não tem e é isso que também o/nos vai continuando a mover)... Não, não é verdade. Porque, felizmente,  a vida de ninguém é (ou se resume a) ser gay ou qualquer outra característica que pode ser tomada como um todo, criando, assim, toda uma narrativa pessoal a partir desta - um olhar fechado que tem apenas em conta uma perspectiva unidimensional sobre algo multidimensional, como é a vida de cada um. Deixem-me reformular:
Era/sou sim um rapaz da aldeia que queria era estudar, ir para a escola, adorava a escola (e ainda adoro), e ir para a Faculdade. Ser inteligente, tirar um curso superior, ser feliz, estudar, ter amigos e "be a badass person". 

Olhando retrospectivamente, como se a minha vida fosse uma série de tv criada pela Shonda numa junção de clichés gay plus uma personagem do sexo e da cidade (em que seria, na verdade, uma Samantha sem o sexo desenfreado e fortuito a toda a hora - ou, pelo menos, gosto de pensar que sim), a minha vida seria o cliché do teatro músical do pequeno que é gay, em que os seus pares sabem isso (mesmo não sabendo o que é isso de ser gay, apenas agarram em algo diferenciador que nem sabem bem o que é), antes mesmo de o próprio o saber, e gozam com ele. Ele sonha fugir daquele meio retrógrado e antiquado indo para uns quaisquer palcos da broadway onde consegue dar asas a um qualquer dom artístico que todas as mariquitas possuem. (Ainda estou à espera de descobrir o meu!). Conseguindo assim conhecer pessoas mais inteligentes, evoluídas, e a sua aceitação, mostrando a todos os outros que é melhor que eles. 
Sou, portanto, o puto da aldeia que acredita que a sua felicidade está noutro sítio. Assim, estudei, fiz o ensino secundário (não chumbei um único ano, "esforcei-me" por isso) - esforcei-me para mostrar aos meus pais que merecia continuar a estudar, a luta pela minha educação e o direito a esta. Pensei ao longo do secundário o que queria ser quando fosse grande. Ou melhor, como queria ser quando fosse grande. Encontrei um modelo (ainda espero vir a ser como aquele ser - sendo eu, claro), não imaginei a minha vida fora do meio de que tanto gostei e, assim, escolhi o meu curso, tendo em conta o meu gosto, os meus critérios, aquilo que, imaginei, me trouxesse (e venha a trazer) felicidade. Pelo meio disto criei aqui o "estaminé", depois de uma pesquisa para encontrar aquilo que achava que podia ser ser-se gay, achei que podia trazer-me felicidade (e não me enganei). Gosto tanto do meu blog. E tenho pena de não conseguir dedicar-me a ele e é, também, a perspectiva com que criei este texto. Reacender algo... Mas, voltando, ou continuo a dispersar-me em pensamentos... Informei-me, aconselhei-me, e a melhor universidade para o meu curso era/é aqui em Lisboa. Conheci pela net aquele que veio a ser o meu primeiro namorado (podem ler mais AQUI, AQUI e AQUI). Até hoje não podia ter acertado mais, na altura era tudo o que queria para alguém com quem partilhar a minha vida. Estão a ver a imagem mental que criaram do homem dos vossos sonhos quando andam no secundário (eu era tão fofo)? Não que ela chegue para o que quer que seja na vida real, a não ser como um guia -acreditem. Portanto, correu muito bem a minha primeira experiência de namoro e de tudo o que dela adveio. O que é bom, afinal somos resultado delas. Por acaso, e eu acredito que a nossa vida é feita de maravilhosos acasos e momentos que nos fazem crer que estamos no ou num caminho certo, acabou por se juntar a cota com a perdigota, o meu desejo por estudar mais, para me tornar mais e melhor, e o "tipo" que imaginava para a minha vida estavam em Lisboa. E assim começava a cumprir o meu ser em projecto...

Isto tudo para quê? Para dizer que tenciono, se a entrada na vida adulta me deixar, criar uma série de, vou chamar-lhe, "crónicas" e como O Gay e a Cidade me parece demasiado próximo de plágio... Gay e em Lisboa está a nascer.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Cem Mil


Passei o marco das cem mil visualizações e este blog tem andado tão parado. Eu que até tenho um blog que de vez em quando é engraçado, dá-me pena não ter tempo para me dedicar a ele. Nem tempo para me dedicar a ele, nem tempo para ter histórias que me pareçam relevantes cá para o estaminé. Mas isto de entrar na vida adulta dá muito trabalho, que dá... 
Enfim, em jeito de comemoração para as cem mil visualizações (que não são mesmo, uma vez que algumas visitas são minhas, tendo em conta que não consigo que o blogger não as conte) e porque a malta parece gostar destas coisas dos "segredos", vou-vos contar um. (Que não é nada segredo, ainda no outro dia contei esta história (dai me ter lembrado dela agora), nunca tinha contado era aqui.) Lembram-se disto? Vou contar mais um bocado da cena.  Contexto:
Amiga está em, como gosto de dizer, conversações com outra moça... (Que é como quem diz, estão a ver se a coisa vai para a frente em namoro ou não.) E aqui o Ricardo faz companhia à amiga que vai ter com a moça ao seu local de trabalho. Um barzinho, bem giro por sinal, numa zona gay de Lisboa, antes de sairmos à noite. Como é óbvio a moça conhece toda a gente e toda a gente acaba por conhecer a minha amiga. Numa noite lá vem um grupo de amigos da moça, ou melhor, tendo em conta o contexto, conhecidos da moça e saímos todos juntos.   
Conversetas e tal. Novamente naquele sítio pavoroso, para terminar a noite (não, não quebrei a minha promessa. Não levei as minhas botas, mas umas sapatilhas). Pensando bem acho que dois moços naquela noite se fizeram a mim. Mas aquele com quem osculei foi o que se fez mesmo a sério (afinal beijou-me, dah!) e com quem tinha conversado mais, achado mais piada e era mais giro. Eu já havia percebido que ele devia querer festa com o "je", mas há alturas em que uma pessoa "deve fazer de conta que não é nada consigo", faço-me de difícil (que sou!) e finjo que não percebo as investidas. Moço mostra o seu sixpack ao grupo, virado para mim... Eu faço de conta que não é nada comigo... O moço lá foi indo, foi indo, aproximou-se, eu deixei, conversou mais, "conversa de engate" e deu-me um beijo. E o moço beijava bem!
*Beija bem* Pausa, conversa, mais beijos, pausa, conversa, mais beijo e... encosta a palma da minha mão, enquanto nos beijamos, por cima das calças dele, na pila, que estava dura, e afirma:
É isto que tu me fazes". E eu penso *E mais não estou a fazer nada. Lamento, não sou desses, não vais ter sorte.* Tiro a mão enquanto digo:
"De nada!..." (*I'm so funny*).
Mais beijinhos, o moço lá vai dizendo aquelas coisas de engate: "Pareces especial, tão giro,..."
Mais beijinhos. Noite terminada, uma pessoa do grupo vai deixando cada um em casa de carro, sendo eu e a minha amiga os últimos. Ele é o primeiro a ser deixado, mais um beijo no carro, o moço bêbado sai e lembra-se de voltar atrás e pedir-me o número. Coisa que já tinha pedido, mas ainda não tínhamos trocado. Falámos até à manhã seguinte, eu depois nada disse e o moço também não. O mais provável é nem se lembrar de quem é aquele número que tinha no telemóvel...
Querem saber a melhor?
Poucos dias depois deste episódio (em que eu nunca mais tinha falado com o moço), tenho a minha amiga a dizer-me mais ou menos isto: "Olha sabes, ao que parece o moço é prostituto, acho que te devia contar..."
Eu - Prostituto? Okay... *Eu já a ver o filme todo*
Amiga - Sim, ao que parece há ali um grupinho que vai uns fins-de-semana à Suiça... 
Eu - Hmmm... Ou seja, prostituto de luxo?
Amiga - Sim, parece que sim... 
(...)

Segredo do Ti'Ricardo: Um prostituto de luxo engatou-me e osculou-me.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Conselhos do Ti'Ricardo

Quando levarem pela primeira vez alguém a casa verifiquem que não há papel higiénico a boiar na sanita. Coisa mais feia...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz 2015!!!


Deste vosso Lumbersexual da Aldeia.
(Não se nota, mas tenho uma pseudo-barba.)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Vermelho, é a cor do Natal?


Feliz Natal!

(Para não dizerem que sou uma espécie de Grinch! Que sou...)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Sugestão Cultural

Porque de vez em quando gosto de dar uma.
Considerado pelo Ípsilon como o melhor espectáculo de 2014 "As Confissões Verdadeiras de um Terrorista Albino" vive uma adaptação e encenação fantástica de um texto de Breytenbach - um escritor e pintor que lutou contra o regime do Apartheid e que acabou por ser preso. Vive, também, de um grupo de actores que se transformam num único e excelente corpo de representação, com puros momentos de brilhante interpretação individual (tão, tão bons que temos pena que não seja este o nível de suprema excelência desde o início). 
Costumamos associar a experiência estética ao prazer, mas aquilo que nos inquieta, que nos perturba, que nos coloca face ao desamparo, à morte, ao desespero, também faz parte desta experiência. Tendemos a conhecer a luta contra o regime do Apartheid graças à história e luta de Nelson Mandela, mas existem também outras vozes, outras mentes, outras memórias. Aquilo que nos é apresentado em palco é um mergulhar nestes momentos - nas memórias, na própria psique, na vivência sufocante de Breyten Breytenbach. 
Vão ficar inquietos.
No Teatro do Bairro, de 10 a 21 de Dezembro (de Quarta a Domingo) às 21h30.