quarta-feira, 25 de setembro de 2013

E agora? Lembra-me

Confesso que o filme me deixou inquieto. Inquietou-me como me inquietam as grandes histórias de amor. Como inquieta quando somos colocados face à vida. A uma vida feliz, mas que, como qualquer vida, tem sofrimento. (O truque é não desistir, parece-me.)
O Joaquim  Pinto disse na apresentação do seu filme E Agora? Lembra-me, que fui ver com o Arrakis ao Queer, que este era um filme feliz.
E é. É um filme cheio de amor e tem uma esperança nostálgica ténue, mas vibrante. O problema é que onde existe esperança algo não está bem. Há uma tristeza.
Gostaria de saber se o Joaquim teve alguma espécie de formação filosófica. Pode não ter tido, não se precisa, basta viver e viver consciente de algo como ele vive e ler (O Nuno tem as Confissões de Santo Agostinho, livro que Joaquim se recusa a ler, ou recusou), pensar sobre as coisas, ver filmes, ouvir música, passear...
Não nos lembramos da morte. Isto é, estamos vivos, sabemos que as pessoas morrem, que podemos morrer a qualquer instante, mas "agora ainda não", é este pensamento que o "autómato" nos traz. *
A lembrança da morte não nos é marca constante ou, pelo menos, não a todos. Se fossemos constantemente conscientes de que as pessoas que amamos morrem, não viveríamos, estaríamos reunidos numa sala com quem amamos a absorver aquelas essências que a qualquer momento se  podem apagar. Estar afastado de alguém que amamos e que pode morrer a qualquer instante sem que estejamos lá, essa é uma consciência atroz. Será igualmente atroz a consciência de que podemos ser nós a deixar quem amamos, que podemos não estar aqui com elas, a aproveitá-los, a amá-los.
A vida de Joaquim está marcada por essa presença constante. Ele sabe-o. Sabe que a qualquer momento pode não estar aqui, com os cães, com o Nuno. (A quem ele agradece por ter conhecido e por ter na sua vida). Ao Nuno a quem vemos agradecer sempre que este lhe dá a injecção que contem a medicação ainda em testes. É uma pequena coisa este "obrigado", mas não sei, isto transmite-me um gesto de amor, profundo. Este filme lembra-me o José e Pilar. Nota-se na forma de captar a imagem que conheceu João César Monteiro.
Não o considerei um documentário sobre as doenças que Joaquim tem e que tenta combater. Ele que dá um contributo enorme, o seu próprio corpo, a sua mente, no combate a estas doenças. Não o considero um documentário sobre as doenças porque falta mais informação sobre elas e sobre os ensaios clínicos em que está submetido. Mas é também natural que não possa dar mais informações, são ensaios experimentais. Está ali muito mais que isso. Está uma história de amor. Está a vida de Joaquim, a sua consciência do que se passa, ainda que ele não saiba conscientemente que a tem. (Não se lembra de várias coisas de que filmou, devido aos efeitos do medicamento).
Acho que é um documentário sobre uma vida que incluí uma história maravilhosa de amor.
E agora? E agora que eu tenho esta doença que me lembra constantemente da morte, que está aqui presente e me é lembrada? Não me esqueças. Amo-te. Lembra-me. Lembra-me, porque te amo. Acho que é isto que Joaquim Pinto nos transmite. Pelo menos a mim assim é.
Ah, caraças! Vejam o filme. É maravilhoso. É extenso, mas é natural que o seja. Eu pensava, como é que se acaba um filme destes? Como é que se coloca um fim a este registo. Quando, como, terminar este filme?
Embora extenso é inquietante, é maravilhoso, é feliz, é triste, é nostálgico. É uma história de amor sobre a vida.

E agora? Lembra-me.


* Eu sei que o texto peca pela sua confusão. Que falta um desenvolvimento intelectual. Mas não farei aqui um ensaio filosófico. Não quero trazer o meu lado, a minha face, intelectual para o blog. Essa é explorada noutros sítios. Quero apenas dar a conhecer o filme e recomenda-lo. 

13 comentários:

  1. é muito bonito o teu texto. tive muita pena de não o ter visto. espero que passe no circuito comercial.
    bjs e as melhoras da tua Mãe.

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    1. Obrigado Margarida :)
      Espero que o consigas ver, vale a pena.
      Obrigado e beijinhos

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  2. Excelente texto que eu subscrevo inteiramente.
    Tive pena de não vos ter encontrado lá, mas com tanta gente também não teria sido fácil. Foi uma noite fantástica, não só pelo maravilhoso filme, mas pela envolvência que o espectáculo teve.
    O Queer começa a ter um lugar verdadeiramente importante no panorama quer dos festivais de cinema portugueses, quer mesmo no panorama dos festivais internacionais de cinema LGBT, como se viu ontem com a sessão dupla da noite com a presença do realizador Travis Mathews, numa sala quase lotada.

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    1. Obrigado João :)
      E ainda bem que assim é :) Pode ser que abra mentalidades e que traga um bom nome a este nosso canto à beira mar plantado.

      Abraço

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  3. Concordo. É uma história de amor fortíssima, cheia de luz e trevas. É um filme sobre a vontade de estar vivo, aqui e agora, e nesse sentido, é quase sufocante na sua dimensão humana. E coloca questões para as quais não há resposta. Quer filosóficas, quer terapêuticas.

    Depois falamos melhor sobre o filme :)
    Abraço.

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    1. Exactly! :)

      Conversamos sim senhor.

      Abraço ^^

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  4. O texto está um pouco confuso!

    Mas fiquei curioso em relação ao filme!

    Abraço

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    1. Acha Rúben? Não me parece nada confuso. Parabéns ao autor!

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  5. O texto está um pouco confuso!

    Mas fiquei curioso em relação ao filme!

    Abraço

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    1. Pois, eu sei. Mas não quis nem quero desenvolver essa parte aqui no blog.
      Então pronto, apesar de tudo, o texto cumpriu o seu objectivo :D

      Abraço

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