terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Gay e em Lisboa


A Outra (assim em maiúsculas e tudo - e já vão perceber porquê) escreveu sobre o sexo e a cidade e eu também. Não queria, mas a verdade é que a minha vida é, no fundo, um grande cliché gay. Vejamos:
Sim, sou gay e gosto do sexo e da cidade (também da série - bicha que é bicha, já se sabe). Mais do que isso, sou o gay da aldeia que, sem saber bem porquê, desde pequeno quer sair da aldeia e ir para a cidade. Assim, numa espécie de "Rato do Campo, Rato da Cidade". (Porque queremos sempre é aquilo que não temos. Afinal, esta é uma característica do ser humano, querer o que não tem e é isso que também o/nos vai continuando a mover)...
Não, isto não é 100% verdade ou sequer suficiente. Porque, felizmente, a vida de ninguém é (ou se resume a) ser gay ou qualquer outra característica que pode ser tomada como um todo. Poderia criar-se, assim, toda uma narrativa pessoal a partir desta característica - um olhar fechado que tem apenas em conta uma perspectiva unidimensional sobre algo multidimensional, como é a vida de cada um. Deixem-me reformular:
Era/sou sim um rapaz da aldeia que queria estudar, ir para a escola, adorava a escola (e ainda adoro), e ir para a Faculdade. Ser inteligente, tirar um curso superior, ser feliz, estudar, ter amigos e "be a badass person". 

Olhando retrospectivamente, como se a minha vida fosse uma série de tv criada pela Shonda numa junção de clichés gay plus uma personagem do sexo e da cidade (em que seria, na verdade, uma Samantha - sem o sexo desenfreado e fortuito a toda a hora. Ou, pelo menos, gosto de pensar que sim), a minha vida seria o cliché do teatro músical do pequeno que é gay, em que os seus pares sabem, antes mesmo de o próprio o saber, e gozam com ele (mesmo não sabendo o que é isso de ser gay, apenas agarram em algo diferenciador que nem sabem bem o que é). Ele sonha fugir daquele meio retrógrado e antiquado indo para uns quaisquer palcos da broadway onde consegue dar asas a um qualquer dom artístico que todas as mariquitas possuem. (Ainda estou à espera de descobrir o meu!). Conseguindo assim conhecer pessoas mais inteligentes, evoluídas, e a sua aceitação, mostrando a todos os outros que é melhor que eles. 
Sou, portanto, o puto da aldeia que acredita que a sua felicidade está noutro sítio. Assim, estudei, fiz o ensino secundário (não chumbei um único ano, "esforcei-me" por isso) - esforcei-me para mostrar aos meus pais que merecia continuar a estudar, a luta pela minha educação e o direito a esta. Pensei ao longo do secundário o que queria ser quando fosse grande. Ou melhor, como queria ser quando fosse grande. Encontrei um modelo (ainda espero vir a ser como aquele ser - sendo eu, claro), não imaginei a minha vida fora do meio de que tanto gostei e, assim, escolhi o meu curso, tendo em conta o meu gosto, os meus critérios, aquilo que, imaginei, me trouxesse (e venha a trazer) felicidade. Pelo meio disto criei aqui o "estaminé", depois de uma pesquisa para encontrar aquilo que achava que podia ser ser-se gay, achei que podia trazer-me felicidade (e não me enganei). Gosto tanto do meu blog. E tenho pena de não conseguir dedicar-me a ele e é, também, a perspectiva com que criei este texto. Reacender algo... Mas, voltando, ou continuo a dispersar-me em pensamentos... Informei-me, aconselhei-me, e a melhor universidade para o meu curso era/é aqui em Lisboa. Conheci pela net aquele que veio a ser o meu primeiro namorado (podem ler mais AQUI, AQUI e AQUI). Até hoje não podia ter acertado mais, na altura era tudo o que queria para alguém com quem partilhar a minha vida. Estão a ver a imagem mental que criaram do homem dos vossos sonhos quando andam no secundário (eu era tão fofo)? Não que ela chegue para o que quer que seja na vida real, a não ser como um guia - acreditem! Portanto, correu muito bem a minha primeira experiência de namoro e de tudo o que dela adveio. O que é bom, afinal somos resultado delas. Por acaso, e eu acredito que a nossa vida é feita de maravilhosos acasos e momentos que nos fazem crer que estamos no ou num caminho certo, acabou por se juntar a cota com a perdigota, o meu desejo por estudar mais, para me tornar mais e melhor, e o "tipo" que imaginava para a minha vida estavam em Lisboa. E assim começava a cumprir o meu ser em projecto...

Isto tudo para quê? Para dizer que tenciono, se a entrada na vida adulta me deixar, criar uma série de, vou chamar-lhe, "crónicas" e como O Gay e a Cidade me parece demasiado próximo de plágio... Gay e em Lisboa está a nascer.

14 comentários:

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    1. Fazes bem. A ver se não ficas muito tempo à espera :P

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  2. Aguardo pacientemente por esse novo rol de crónicas :D

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  3. devo ficar com medo? isto é, vais escrever coisas chocantes sobre a tua vida no dia a dia ? sou uma pessoa sensível e não quero ler coisas fortes! xD

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    1. Houve algum salto no mundo das ideias... Onde é que com a leitura do meu texto ficaste com a ideia que ia revelar coisas chocantes do meu dia a dia? Eu lá tenho coisas chocantes na minha vida...
      A não ser o facto de ser (praticamente vá) teu vizinho :P

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    2. ahah tens sim! tu é que não as partilhas!! xD

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    3. Tenho? Por exemplo? O.o
      Que coisas fortes estás a pensar?

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  4. Por falar em gays da aldeia...

    https://www.youtube.com/watch?v=if7FuZaZ7ss

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    1. Era mesmo essa a referência Namorado da Little Britain :P

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  5. OOOhhh gostei tanto!!! Muito muito muito! É preciso muita perseverança para crescer em direção aos nossos ideais!

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    1. Ohw, muito obrigado Meia Noite :) É de facto e saber o caminho por onde queremos ir e definir esses ideais não é fácil...

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