quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Thoughts

Por vezes dou por mim a pensar se ainda serei o miúdo gordo do sexto ano que apenas se encontrava inserido num grupo de amigos por ser o palhacinho, o que dizia piadas, mas que no fundo era facilmente dispensável e esquecido. A nível romântico então, nem vale a pena falar e nesse campo ainda hoje sou certamente. Já para não falar na primária, mas a verdade é que sempre tive um qualquer toque (algo como as palavras da canção lá em baixo) e soube adaptar-me às situações, sobretudo a um nível mental, e era amigo das meninas.
Mais tarde então é que a adolescência já traz o "um por si" (e já não era possível confiar cegamente nas meninas), e é melhor ficar do lado daquele/a que tem um qualquer toque de ser o craque de futebol ou a líder da claque, pegando sempre na metáfora criada pelas séries e filmes que retratam as secundárias americanas, pelos populares. Mas, apesar disso, sempre, posso dizer, tive amigos, one way or another...
No secundário mudei de escola. E aquela escola, digamos, não era das melhor faladas em termos de paz e educação estudantil.
Mas, sobrevivi e agora não trocaria o meu secundário por nada, sou o que sou também graças ao que vivi lá. Ainda me lembro, o que vem a provar que era só mesmo por serem uns miúdos adolescentes, da vez em que dois rapazes (que pertenciam ao grupo de mauzões que não gostavam nada de nós, afinal nós éramos os estranhos novos e que pareciam snobs e eramos!? [depois explico] por isto mas, sobretudo, por um dos rapazes do nosso grupo ter encantado a menina de quem o "chefe" do outro grupo gostava [no fundo a culpa é sempre do amor]) nos cortaram o caminho, a mim e a uma amiga, para gozarem connosco. E eu dei meia volta e ao virar-me para trás o moço que estava atrás de mim deu um passo atrás com uma expressão no olhar que na altura não soube dizer logo o que era, ao analisar o momento mais tarde percebi que era medo, provavelmente que lhe fizesse frente. Mas o gaiato soube recuperar bem e deu novamente o passo em frente. Afinal o grupinho de amigos estava por perto a ver tudo... Lá passamos depois de um momento qualquer em que se armaram em superiores...
A verdade é que nós não éramos snobs, ou melhor, éramos. Confusos? Eu explico. (Olha eu snob...)
Foi a maneira que arranjámos de esconder que éramos mais fracos, ao menos assim seriamos mais fortes. De esconder que já tínhamos sido gozados o suficiente. Eu já tinha sido. E também já tinha gozado claro. Não fiquei traumatizado por nada do que passei e isto não é em nada o discurso do coitadinho, são apenas factos.
E eu sei perfeitamente que, ainda hoje, aquilo que as pessoas vêem quando olham para mim é um eu snob, como um amigo tão bem me disse. Um nariz empinado, como eu disse a uma amiga quando falava com ela sobre a primeira impressão que tinha tido sobre mim, isso e, sendo sincero às palavras que ela me disse, pensou também "giiiirooo" (coisa que nunca me acharam btw), ela é uma querida.
E depois claro, há as pessoas que vêem por baixo do snob que convivem comigo e talvez se apercebam que não é bem assim, ou então que eu sou um pouco mais do que snob e vale a pena conviver comigo e são amigas.
A essas um muito obrigado do fundo do coração, gosto muito de vocês. (Oh pá mim a ser piroso, mas é a verdade e há que agradecer e falar também disto, não apenas das tristezas).
Eu cá, vou sendo e parecendo snob, afinal já não pareço o miúdo gordo do sexto ano, talvez já nem seja, nem tenha qualquer ponta dele, sinceramente esta ideia não me agrada a 100%. Mas verdade é que é melhor não gostarem de nós por sermos snobs do que por sermos o miúdo gordo do sexto ano.
Mas o melhor, é que, acho, ainda não sou tão snob quanto poderia ser, esperam até eu ser big enough. É que ainda tenho um bocado para crescer.

The glee version



The Original


Lembrem-se cada um tem a face que mostra, a sua máscara. E toda a gente tem valor.

16 comentários:

  1. "Lembrem-se cada um tem a face que mostra, a sua máscara. E toda a gente tem valor."

    O teu pensamento final diz tudo! Parabéns! :3

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  2. Todos temos ou usamos máscaras dependendo da situação

    Abraço

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  3. Será mesmo um bom auto-retrato, e julgo que concordo com a escolha entre puto gordo e o snob.
    Penso que as amizades se constroem quando descobrimos o que há por baixo da máscara de cada um.

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    1. Também me parece que assim seja, se não será apenas algo parecido com conveniência...

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  4. Também sou apontada como arrogante, antipática e 'croma'. Faz tudo parte da firewall que criei contra essas 'pessoínhas'.
    Só baixo defesas com quem quero. PACIÊNCIAAAAA!!!!!!!! =D

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    1. Assim é que tem de ser.
      E há que saber quem somos e gostar de nós :P

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  5. Acho que todos, de uma maneira ou de outra, passamos pelo que descreves. É isso que nos faz crescer como tu tão bem dizes no final do post.

    Abraço amigo :)

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    1. Também me parece que assim seja Arrakis, mesmo aqueles miúdos quenos barraram caminho ou até os "populares" de uma maneira ou de outra, mais cedo ou mais tarde.

      Um grande Abraço ^^

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  6. Antes pensava que snob era raça de cão...
    Nem toda a gente tem valor. Olha para mim :p

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    1. Hahahahah a sério? Porquê?
      Já te disse e volto a dizer, eu acho que tens valor. Cromo! :P

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  7. excelente post! o que mais curto no MUNDO BLOG é justamente as pessoas poderem contar o que lhes passa na mente! aprendemos muito com os outros!

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  8. De certeza que há um bocadinho desse rapaz gordo do 6º ano aí. És o que és, hoje, também graças a ele. Se eliminasses essa fase da tua vida, o Ricardo de hoje não poderia ser o mesmo.

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    1. Sim, isso é verdade e eu sei disso.
      Não alteraria nada, porque sei que ao fazê-lo não seria como e o que sou hoje...

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